O sol brilha!

Nunca pensei que o sol tivesse tão grande importância na minha vida.
No Brasil o sol brilha o tempo todo. Eu não gosto muito, especialmente durante o verão, quando a temperatura pode chegar a 42 graus na sombra, o ar é extremamento úmido e abafado e eu suo o tempo todo.
Todo lugar tem ar condicionado, assim como os europeus tem aquecedor. O problema? A gente fica doente toda hora. Ir do calor pro frio e de volta pro calor é ótimo pra pegar resfriado! E não tem nada mais chato do que ficar resfriado durante o verão, né não?

A gente usa casaco enquanto todo mundo está quase pelado. Evita busum com ar condicionado, não só pra não passar o resfriado pros outros, mas também pra não piorar. Daí o busum tá entupido de gente suada e grudenta, todo mundo atrasado correndo pra algum lugar, irritado com o motorista - que por sua vez corre como se fosse tirar o pai da forca. É impossível não tocar em ninguém, não importa o quanto você tente. Os estonianos não agüentariam. No Brasil não existe o sagrado "metro quadrado de distância". O público e o privado estão misturados, o que é seu é dos outros também. Você compartilha o ar, sua pele e o suor. E nem tente mover o pé! Você pode não encontrar espaço pra colocar o pé de volta e arriscar passar o restante da viagem de 3 horas igual saci. É realmente desagradável.

Mas se você é fiscal da natureza, pode ir à praia! Aí é o paraíso na terra. Sol quente brilhando no céu, areia fresquinha, mar gelado, água de côco ou Matte geladinho... é delicioso! No final do dia você já leva pra casa um lindo brozeado - o que te obriga a ir à praia pelos próximos dois dias pra não descascar rápido. É, diferente da Estônia, não existe brozeamento artificial no Brasil. A gente é naturalmente bronzeado, quer a gente goste quer não. Aliás, a gente não precisa ir à praia para pegar um bronze... conversar com um amigo no portão por algumas horas já é suficiente.
É, aí é verão o ano todo.

Aqui... Eu acordo me perguntando quantos graus tá fazendo lá fora. Hoje fez 22 graus. Um recorde! Meu primeiro dia com 22 graus na Estônia. Eu ainda me lembro bem dos 21 negativos...

Se está quente, eu posso ir pra minha varanda de babydoll e sentar lá, curtindo  o calorzinho. É ótimo! Mas nem sempre. Se está ventando, eu prefiro o calor do aquecedor dentro do apartamento. Se está sol sem vento é perfeito! E minha pele pega um bronze rápidinho, já que está desesperada! Não gosto da cor amarelada do negro americano. Eu hein, cor de cocô...

Aqui o sol faz uma baita diferença para as minhas atividades diárias. Sempre acho boas desculpas pra sair, caminhar devagar no sol, respirar fundo - absorvendo um ar puro. A roupa seca rápido no varal, me faz sorrir, reativo minha melanina... tanto benefício...
Infelizmente aqui o sol não dura muito. Mas eu vou aproveitar ao máximo!

E viva Lula!

Antes de falar da reportagem de 4 páginas sobre Lula na Newsweek dessa semana, quero falar um pouco sobre algo que a seção "Ponto de Vista" da newsweek da semana passada despertou.

Eu sinceramente não entendo parte da população brasileira que não engole Lula. E não estou falando das classes baixas, porque estas estão com ele - creio eu.

É uma minoria que não enxerga um palmo à frente de seus umbigos. São egoístas, alienados e preconceituosos.

Já ouvi muita gente - de professores universitários a professores de ensino fundamental - dizer que é um absurdo um operário sem educação, sem dedo, com língua presa, ser eleito presidente.

Me desculpe, mas estou CANSADA de presidentes com pós-doutorado, falantes de línguas do velho e novo mundo, perfeitos a olho nu, mas que são totalmente incapazes de exercer tal função, e que, entretanto, foram eleitos por uma população politicamente incapaz - inclusive essa mesma minoria individualista e sem vergonha.

Os que ouvi falar com desgosto sobre Lula puderam, nos primeiros anos de seu governo, viajar para fora do país, receber reajustes salariais atrasados - em parcelas, mas receber. No entanto esses mesmos são incapazes de reconhecer que nenhum outro presidente fez tanta coisa possível em tão pouco tempo.
A mídia se acabava: "E o presidente vive viajando. Gastando o dinheiro dos contribuintes em viagens internacionais. O que ele será capaz de fazer, se reeleito, se não fez muito durante esses primeiros 4 anos?"

Bom, a resposta está aí, pra todo mundo que quer, e se importa, ver. Infelizmente, acredito que essa corja de egoístas, é também cega.

Eu moro fora do país e muito me orgulho de viver fora do país num momento como esse. É muito gratificante ouvir elogios à Lula, e ao Brasil por conseqüência, de pessoas que antes não sabiam haver um Brasil político, um Brasil além das favelas, da "música de elevador", das belas negras nuas e das praias.

Talvez daqui eu tenha uma visão privilegiada sobre as impressões do governo Lula. Mas daí eu via melhor o posicionamento das minorias e do povo.

Infelizmente a escória ainda vive na era do "a farinha é pouca, meu pirão primeiro". Esses ignorantes educados não percebem que apenas reproduzem um sistema, sem o pensar criticamente. Vamos relevar pelo fato de que nós, brasileiros, "somos educados para reproduzir sem pensar".

Mas, vamos violar essa lei: Hoje, se você ganha milhões, seu vizinho não pode ganhar nada. Se ele não ganha nada, ele precisa. Se ele precisa, vai te pedir, se você não der, vai te roubar e na próxima te matar por isso. Já vemos isso nos jornais todos os dias. Não é novidade. Então por quê persistir nesse erro bizarro? Por quê reproduzir algo que não funciona?

Os governos anteriores trabalharam pela ignorância, tanto dos pobres quanto dos ricos. Seguindo à risca o modelo americano que, bem se sabe, NÃO FUNCIONA! Mas ok, todos diriam que "tinham de obedecer aos EUA por causa das dívidas". Pausa: Uma das primeiras coisas que Lula fez foi LIVRAR-SE DELES!

Hoje, morando na Europa, vejo os benefícios do equilíbrio entre capitalismo e socialismo. Não é comunismo! Dizer que o socialismo está a 1 passo do comunismo é coisa de americano estúpido que assiste à Fox News. Por favor, não faça isso!

A eduçação de qualidade é o que alivia as pressões sociais sobre o povo. Se você ganha milhões e seu vizinho ganha o suficiente, de acordo com as habilidades profissionais dele, ele não vai te pedir, não vai te roubar e não vai te matar. Qual o problema com essa cena?!

O atual problema é que essa escumalha sonha em ganhar sempre mais, ser mais rico que o vizinho, ter um carro melhor que o do vizinho, ter uma casa maior que a do vizinho, ter roupas mais caras que as do vizinho etc. Qual o problema com essa cena?! NADA CRESCE PRA SEMPRE! Tudo nasce, cresce e morre.
A idéia de crescimento desenfreado vem junto com o ideal capitalista. Mas junto vem também a insatisfação e aí tudo descamba!

Essa ralé tem mais é que calar a boca e engolir seco com farinha o fato de que Lula é o melhor presidente dos últimos tempos! Essa corja tem mais é que se mudar. Quem sabe virar tietes de Chavez. Talvez eles consigam algum privilégio, já que isso é o que importa.

Hoje o mundo está em crise, e o Brasil ainda vai à praia ao final do dia!

Que outro presidente brasileiro pôde, sem restrições, dizer ao Primeiro Ministro inglês e à imprensa mundial que "os culpados pela crise são pessoas de pele branca e olhos azuis", e ser ouvido e respeitado?! Nenhum outro presidente brasileiro jamais foi ouvido e respeitado como Lula.

Me desculpe os que se sentem ameaçados por um homem sem dedo, sem educação e com língua presa. Mas até agora, ele tem sido melhor!

"Brasil é o que tem mais a ganhar com formalização dos BRICs" de Américo Martins

O artigo do cara está aqui.

Algumas considerações

Não sei se o grupo BRIC vai ser realmente criado. Esse encontro pode significar apenas troca de informações, favores e conhecimentos. Talvez se forme um grupo oficialmente, e, se isso acontecer, os 4 países terão seus próprios interesses por essa criação, assim como em todo e qualquer outro grupo de países que têm alianças entre si. Ninguém joga politicamente sem interesse. O importante é tirar o máximo possível de onde quer que seja.

Grau de importância real de cada país? Who cares??? Acho que os países, realizando uma aliança, estariam muito mais interessados na real importância do grupo.

BRIC concentram poder nas principais áreas de interesse internacional: economia (china), energia (Rússia), política na Ásia (Índia) e, vamos dizer, commodities (Brasil). O Brasil deve, sim, dar importância a uma aliança desse tipo. Sozinhos eles não vão muito longe, já juntos... E eles têm uma coisa em comum: seus mercados estão fundamentados na exportação.

Quem tem envolvimento no cenário internacional sempre quer mais... essa é a máquina do mercado capitalista a que os quatro respondem quando participantes no mercado internacional.

Os outros três possuem bombas atômicas e exatamente por isso, por sua instabilidade, dois deles têm assento cativo no Conselho de Segurança da ONU. É imperativo estar no Conselho de Segurança àqueles que fazem e têm interesse em guerras. Desde quando o Brasil se mete em guerras? O Brasil manda grupamentos de paz a territórios em conflito. De certa forma, se algo der errado entre esses países e um deles, basta um, usar uma bomba, pode ter certeza de que o Brasil vai ser o primeiro a ser chamado pra apaziguar a situação. Especialmente por ter uma "aliança" com eles.

Sim, a Rússia fornece energia para quase toda a Europa... porque aqui ninguém tem tanto!

Me parece que Rússia, China e Índia não teriam papel muito maior do que o do Brasil, eles são mais instáveis, o que exige mais atenção. Entretanto, o Brasil seria a panasséia, a maracujina nesse grupo. Sem o Brasil, pode contar que muito em breve eles estariam causando problemas em vez de buscando soluções. E nesse caso, o Brasil tem um papel chave.

Em sociometria a gente não busca o líder, a gente busca aquele que influencia o líder, a iminência parda.

Eu diria que o Brasil seria a iminência parda do grupo, e todos adorariam tê-lo ao seu lado. Como a Rainha Elizabeth fez na última foto com líderes mundiais, e Obama tem acariciado o ego do nosso querido presidente. Nada no cenário político vem de graça! Nem fotos, nem elogios.

Instabilidade vs. estabilidade. Essas são as palavras-chave desse grupo. Quem é estável aqui?

Considerando a crise mundial, bom o nome já diz tudo: é uma crise mundial!
As cordas que estão sendo roídas são exatamente aquelas que se amarram ao mercado internacional. Do Brasil, as exportações, da China, as exportações, todo o mercado econômico da Rússia e a segurança política da oligarquia, a economia da Índia que caiu pouco mais de 7% no último ano.

Acho que a crise mundial veio em péssima hora para todos, inclusive para o Brasil. A crise não é um privilégio e "acontece nas melhores famílias". Se o Brasil não estivesse sendo afetado, estaria morto.

De acordo com o que se vê, a Rússia não pretende advogar em favor do BRIC, mas dos países emergentes com interesses comuns - leia-se BRIC. A Rússia está interessada em dilatar a importância do G20, já que é fanha no G8. Bom para o BRIC.

Não acredito que esta crise possa afetar a positiva percepção internacional do presidente Lula, a despeito do desejo de muitos brasileiros recalcados.

Esta é uma crise mundial que afeta a todos e não foi causada pelo Brasil, mas de acordo com a Newsweek, o Brasil ainda vai à praia ao final do dia.

A percepção tende a melhorar se o Brasil, no final das contas, tiver saldo maior ou igual ao do começo da crise.

Todo mundo está com o pé na lama, só temos de cuidar para não nos atolarmos nela. E se tem uma coisa em que o Brasil é bom, é em rebolar!

Vivemos em crise desde que o Brasil é Brasil. A gente não "sofreu" desse mal, a gente "conviveu" com ele até a era Lula.

Mas quem sou eu?
Lula é o melhor presidente que o Brasil já teve e o Américo Martins é o "Editor-executivo do Serviço Mundial da BBC". Fique a vontade, acredite no que quiser.

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No jornal russo de hoje: A Rússia pode permitir produção e venda de pão em casa como medida anti-crise.

"A Rússia precisa do mundo para seu próprio desenvolvimento, e o mundo precisa da Rússia como jogador majoritário na economia internacional" Klaus Roland, Diretor representante da Rússia no Banco Mundial.

Eu e o Blog

De vez em quando venho aqui desabafar.

Falo também sobre política, problemas sociais, trivialidades e, às vezes, bestialidades.

Sou formada em Letras e sou mestre em Lingüística. Sou professora de Português e faço tradução de documentos e livros. Não entendo nada de muita coisa e detesto números! Mas entendo bem de economia quando se trata do meu dinheiro.

De certa forma, quero desmistificar as idéias sobre a Europa - e muitas vezes sobre os Estados Unidos, queridinho de muito brasileiro mal-informado.

Apesar de dar aulas de português, o uso constante de outras línguas (inglês e norueguês) tem o efeito colateral de me fazer esquecer a grafia de uma palavra ou outra. Por favor, me perdôe.

Seja bem-vindo!