Definitivamente não entendo!

Ontem estive na Town Hall Square, estava rolando um festival de música e dança. Todos os cafés cheios, muitos gringos passeando pela cidade, o sol brilhando... tudo na paz.

Sentei em uma mesa do lado de fora de um dos cafés. Haviam dois casais na mesa ao lado, um deles com uma criança pequena, de no máximo 3 anos. A meninha sorria pra mim e passeava por entre as mesas do café.

Depois de algum tempo a menina passou por mim, sozinha, e foi andando pela praça até que entrou num dos cafés. Olhei para os pais que se divertiam tomando uma cervejinha e batendo papo com o outro casal. Bom, sou brasileira. O casaco da menina estava no chão, claro, ninguém viu. Levantei e fui até os pais da menina avisar que ela estava andando sozinha e entrando num dos cafés. O pai me olhou como se dissesse: "o que você tem a ver com isso?" e disse: "eu estou vendo!" A mãe sorriu e disse: "é, ele está olhando..." (olhando não sei o quê, a criança já estava dentro do café e ele parecia muito mais interessado no copo de cerveja). Eu disse: "Ok. O casaco dela está no chão." A mãe, sorriu novamente e pegou o casaco. Um casal de velhinhos na mesa ao lado ficou me olhando e olhando para eles, tipo cara-crachá.

Voltei à minha mesa e continuei tomando meu espresso. O casal de velhinhos continou olhando para eles. A mãe decidiu, então, ir em busca da menina. Não demorou muito e voltou com ela, mas dessa vez fez questão de manter a menina bem segura, no colo dela. Pena que não pela segurança da menina, mas para evitar ser chamada a atenção de novo por outra pessoa.

Eu sinceramente não entendo a forma como os estonianos cuidam de seus filhos. Misericórdia!

Chega a dar pena dessas crianças. Os pais andam tão preocupados consigo mesmos que esquecem que os filhos dependem deles. Especialmente nessa fase da vida. Mas aqui é regra: as crianças ficam por perto dos pais enquanto elas querem (ou até perceberem que os pais não estão nem aí) e por volta dos 10, 11 anos estão sozinhas. Não é a toa que logo cedo eles começam a beber e a fumar. Não há quem os ensine o que é certo ou errado, bom ou mal. E os pais ainda se sentem ofendidos quando são chamados a atenção!

Num outro blog, falei sobre e falta de responsabilidade social na Estônia e esse é um exemplo dessa necessidade. Se as pessoas não se sentem "ameaçadas", ou observadas pelo bom senso social elas simplesmente esquecem que o mundo não gira em torno de seus umbigos cheios de caraca!

É fato: aqui os pais bebem até não poderem mais, as mães idem e as crianças crescem abandonadas. É muito triste de ver. Uma sociedade inteira sem o mínimo bom senso e as pessoas só pensam em si mesmas.

Vejo aqui na pracinha, na frente do prédio em que moro, crianças largadas o dia inteiro, sujas, vestidas de qualquer jeito. As meninas não aprendem o que é feminilidade, andam e agem como garotos - dizem por aí que o número de lésbicas por aqui é enorme, apesar de toda a intolerância estoniana. É comum ver meninas, moças, mulheres e senhoras que andam como homens. Eu confesso que na maioria das vezes tenho dificuldade em distinguir se é homem ou mulher. Nada contra homossexualidade, mas se pode ser homossexual e ainda assim ser feminina. Seria bom se as meninas pudessem escolher entre ser femininas ou masculinas, a despeito de sua sexualidade. Mas por aqui elas nem sempre aprendem o que é "ser feminina".

A Estônia é um país de extremos. As mulheres são magras como tábuas ou gordas feito porcas, são masculinas demais ou andam excessivamente maquiadas, não fazem as unhas ou as deixam crescer feito garras e pintam com as mais bizarras cores, as calcinhas são grandes demais ou um fio, todos bebem excessivamente, são excessivamente preconceituosos, xenófobos, extremamente intolerantes, os homens não revelam sentimento algum, não há calor humano - nem mesmo durante o verão, a educação é tanta que se torna extrema falta de educação, e por aí vai.

Como falta equilíbrio a esse país!

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Eu e o Blog

De vez em quando venho aqui desabafar.

Falo também sobre política, problemas sociais, trivialidades e, às vezes, bestialidades.

Sou formada em Letras e sou mestre em Lingüística. Sou professora de Português e faço tradução de documentos e livros. Não entendo nada de muita coisa e detesto números! Mas entendo bem de economia quando se trata do meu dinheiro.

De certa forma, quero desmistificar as idéias sobre a Europa - e muitas vezes sobre os Estados Unidos, queridinho de muito brasileiro mal-informado.

Apesar de dar aulas de português, o uso constante de outras línguas (inglês e norueguês) tem o efeito colateral de me fazer esquecer a grafia de uma palavra ou outra. Por favor, me perdôe.

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