Muito barulho por nada
Tenho acompanhado o bate-boca entre a igreja e a prefeitura de Recife.
Muito barulho por nada, por parte de ambos. Há toda uma fantasia sobre o carnaval. Dizem que carnaval é símbolo de sexo desenfreado, excesso de liberdade, blá-blá-blá. Sinceramente, eu nunca vi nada disso. Claro que há aqueles que usam o carnaval como oportunidade para fazer tudo o que vem à cabeça, mas não é o caso da grande maioria. Prova disso foi o número de pílulas entregues pelos postos de saúde em Recife e Olinda: 20.
Calma! Deixa eu me posicionar: Sou contra a distribuição de pílulas, mas não por achar que são abortivas ou um pecado. Sou contra porque fazem mal à saúde da mulher em geral. Desregula o ciclo menstrual, pode causar efeitos colaterais se a mulher toma pílulas regularmente, etc. Acho que esse tipo de pílula só pode ser mesmo entregue após uma boa visita ao médico e somente em último caso. Um outro problema nessa discussão é o fato de ambas as partes terem posto a pílula e a camisinha no mesmo saco. A camisinha deve, sim, ser distribuída gratuita e massivamente nesses dias. Não que todos façam sexo com todos o tempo todo, mas é melhor previnir que remediar. A camisinha previne, especialmente, contra doenças sexualmente transmissíveis, previnir a gravidez é um bônus.
Já a pílula é para casos mais específicos. Previne só e tão somente a gravidez. Gravidez não é doença, não é crime e não é pecado! As pessoas são tão religiosas, deveriam acreditar que quando alguém "tem de engravidar, pela graça e decisão de Deus", ela vai engravidar. Quer tome pílulas regulares, do dia seguinte, use camisinha ou não.
Ideais são lindos, mas geralmente não funcionam. Não posso aceitar que todos morram porque alguns poucos são contrários a ajudar. Acho perfeita a posição da igreja mantendo seus valores, mas há que se convir que nem todos estão no mesmo barco ou partilham dos mesmos ideais. E por isso eles devem morrer?
A mensagem da prefeitura, a meus ver, foi a de que há quem se preocupe com os que estão distantes do que muitos consideram ideal ou correto. Se eles estão "perdidos", precisam de alguém para guiá-los. A igreja se propõe a guiar, mas à primeira ovelha perdida, apaga a luz e dá-lhe as costas. Não foi bem isso que Jesus fez. Atitude bela seria a de estar no meio dos "perdidos", se dispondo a ajudar. Condená-los não ajuda, só atrapalha seus próprios objetivos e razão de ser.
Ninguém pode cercear as opções do outro, nem a igreja.